Durante o crescimento, crianças apresentam diversos comportamentos em relação à alimentação.
Algumas têm paladar seletivo, evitam alimentos considerados saudáveis. Outras dizem não ter fome, pulam refeições e fogem de uma garfada. Em geral, isso é só uma fase, que desaparece conforme a idade avança.
O problema ocorre quando esses comportamentos se tornam exagerados e vêm acompanhados de outros sinais, como a exigência de dietas restritas demais, repetidas visitas ao banheiro no meio das refeições ou perda de peso evidente. Nesse caso, é preciso levar a hipótese de distúrbio alimentar ao consultório do pediatra.
Até recentemente, os diagnósticos de bulimia e anorexia ocorriam, em geral, na adolescência. O dado alarmante, divulgado na edição de dezembro da revista da Academia Americana de Pediatria, é a incidência crescente do problema entre crianças e pré-adolescentes. Segundo o estudo, as internações entre menores de 12 anos cresceram 119% nos Estados Unidos, entre 1999 e 2006.
O medo do sobrepeso e da obesidade pode influenciar distúrbios alimentares nas crianças.
A atenção dada ao peso e à dieta pode ter uma consequência indesejável para algumas pessoas, que passam a fazer dietas exageradas, criam restrições alimentares pouco saudáveis e perdem peso demais.
É importante lembrar que bulimia e anorexia são doenças desencadeadas pela combinação de vários fatores. É errado, como fazem alguns, culpar apenas a insistência em um certo padrão de beleza exibido na publicidade ou na televisão. Fatores como personalidade, relações familiares, interação social e os meios de comunicação têm o seu papel.
Um distúrbio alimentar pode trazer graves consequências para o desenvolvimento de uma criança. A falta de uma alimentação correta traz desde prejuízos cognitivos até distúrbios de crescimento. Anorexia e bulimia podem provocar queda de cabelo, anemia, problemas renais, estomacais, cardíacos, entre outros.
O tratamento dos distúrbios alimentares em crianças envolve uma equipe multiprofissional, que conta compediatra, psiquiatra infantil, psicólogo, nutricionista e educador físico. É importante que seja feita a terapia familiar, terapia individual e uma reeducação alimentar.
Fonte: Revista Veja